Dia do Pecuarista: as mãos que cuidam do rebanho e ajudam a mover o Brasil
Dia do Pecuarista: as mãos que cuidam do rebanho e ajudam a mover o Brasil
Em Mato Grosso, dono do maior rebanho bovino do país, a força da atividade ganha dimensão econômica, social e humana.
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Antes de o sol nascer, enquanto boa parte do país ainda dorme, há alguém percorrendo o pasto, observando o céu e conferindo o rebanho. É o pecuarista que começa mais um dia sem a certeza de chuva, de preço justo ou de estrada fácil, mas com a convicção de que os animais precisam de cuidado e o trabalho não pode esperar.
É por essas mulheres e esses homens que o Brasil celebra, em 15 de julho, o Dia Nacional do Pecuarista, instituído pela Lei nº 11.716, de 2008.
O legado do pecuarista
A data homenageia muito mais que uma profissão. Celebra um modo de vida construído sobre disciplina, conhecimento, coragem e continuidade. Por trás de cada rebanho existem famílias, trabalhadores rurais, médicos-veterinários, zootecnistas, transportadores, técnicos, frigoríficos, comerciantes e comunidades inteiras ligadas à atividade.
Nas redes sociais, a homenagem deste ano ganhou uma definição simples e verdadeira: a pecuária é herança, dedicação e compromisso com o Brasil. Outra mensagem resume o sentimento de quem vive do campo: por trás de uma pecuária forte existe alguém que decidiu continuar, mesmo diante dos desafios.
Continuar é uma palavra que o pecuarista conhece bem.
É continuar depois de uma seca severa. É recomeçar após uma perda. É investir em genética, nutrição, recuperação de pastagens, sanidade e tecnologia. É proteger os animais, planejar a próxima estação e preparar a propriedade para uma nova geração.
Essa perseverança produz resultados que atravessam as porteiras.
Uma atividade essencial para o Brasil
Segundo a CNA e o Cepea, o agronegócio brasileiro movimentou R$ 3,20 trilhões em 2025, o equivalente a 25,13% do Produto Interno Bruto nacional. Dentro desse desempenho, o ramo pecuário do PIB do agronegócio teve papel de destaque, com crescimento de 32,55%, impulsionado pelas cadeias de carnes, leite e ovos.
O avanço também aparece na produção. Dados preliminares do IBGE mostram que o Brasil abateu 42,94 milhões de bovinos em 2025 sob algum tipo de inspeção sanitária, o maior resultado da série histórica e 8,2% acima de 2024.
Nesse cenário, Mato Grosso ocupa uma posição especial.
Com aproximadamente 32,8 milhões de cabeças, o estado possui o maior rebanho bovino do país. Em 2025, também liderou o abate nacional, com 17,1% de participação. A força mato-grossense alcança o mundo: somente em 2024, o estado exportou cerca de US$ 2,67 bilhões em carne bovina para 65 países, conforme dados divulgados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso.
São números gigantes, mas eles começam em gestos pequenos: na água conferida no bebedouro, no sal colocado no cocho, no nascimento acompanhado durante a madrugada e na decisão diária de cuidar.
O protagonismo também aumenta a responsabilidade. A pecuária que o Brasil precisa celebrar é aquela que produz mais com eficiência, respeita a legislação, recupera áreas degradadas, preserva os recursos naturais e investe em rastreabilidade, sanidade e bem-estar animal.
Tradição e inovação não são caminhos opostos. A experiência de quem conhece a terra pode caminhar ao lado da ciência, da tecnologia e de práticas mais sustentáveis. É dessa união que nascerá uma atividade ainda mais competitiva, respeitada e preparada para alimentar uma população crescente.
No Dia do Pecuarista, o país deve reconhecer quem transforma trabalho silencioso em alimento, renda, desenvolvimento e oportunidade.
Aos pecuaristas de Mato Grosso e de todo o Brasil, fica a homenagem a quem faz da resistência uma rotina, da terra um compromisso e do cuidado uma missão.
Porque onde há um rebanho bem cuidado, há muito mais que produção. Há conhecimento, história, família e futuro.
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