Zebu brasileiro pode impulsionar pecuária africana e abrir nova fronteira para a genética animal, aponta especialista
Tecnologia desenvolvida no Brasil é vista como alternativa para elevar produtividade da pecuária na África, com foco em adaptação ao clima tropical, transferência de conhecimento e integração agroindustrial.
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O zebu brasileiro desponta como uma das principais soluções para o desenvolvimento da pecuária africana, em um momento em que o continente busca ampliar sua produção de alimentos e estruturar cadeias agroindustriais mais eficientes. A avaliação é do sócio-fundador da Zebuembryo, Bento Mineiro, que destaca o potencial da genética zebuína como ferramenta estratégica para a transformação produtiva no campo africano.
Segundo o especialista, a África reúne condições econômicas e demográficas que a colocam como uma das regiões mais promissoras do agronegócio global, mas ainda enfrenta gargalos estruturais na produção pecuária, especialmente em produtividade, manejo e melhoramento genético.
África concentra oportunidade histórica para o agronegócio global
O continente africano reúne cerca de 1,4 bilhão de habitantes distribuídos em 55 países, com população majoritariamente jovem e em expansão. Para Bento Mineiro, esse cenário representa uma demanda crescente por alimentos, especialmente proteína animal e leite, o que pressiona a necessidade de modernização da pecuária local.
Atualmente, o rebanho africano é estimado em cerca de 300 milhões de cabeças de gado, número considerado relevante, mas insuficiente diante das projeções de crescimento populacional. Em muitos países, ainda predominam sistemas extensivos, baixa produtividade e limitado acesso à tecnologia.
Em diversas regiões, segundo o especialista, rebanhos chegam a percorrer grandes distâncias em busca de água e alimento, o que compromete o desempenho produtivo e evidencia a necessidade de maior organização e tecnificação da atividade pecuária.
Zebu brasileiro como base para pecuária tropical eficiente
De acordo com Bento Mineiro, o zebu brasileiro se consolidou como resultado de décadas de seleção genética adaptada às condições tropicais, com resistência ao calor, eficiência produtiva e alta capacidade de adaptação a ambientes desafiadores.
Essa característica, segundo ele, torna o material genético brasileiro especialmente adequado para regiões com clima semelhante ao africano, permitindo ganhos de produtividade sem a necessidade de longos ciclos de adaptação genética.
O Brasil, atualmente um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, teria alcançado esse patamar justamente a partir do desenvolvimento de um rebanho adaptado aos trópicos, combinando genética, manejo e tecnologia.
Transferência de tecnologia vai além da genética
O especialista ressalta que a exportação de genética bovina não se limita à comercialização de embriões, sêmen ou animais vivos. Para ele, o impacto real ocorre quando há também transferência de conhecimento técnico e capacitação.
Isso inclui protocolos reprodutivos, manejo nutricional, inseminação artificial, fertilização in vitro, sincronização de cio e transferência de embriões, além de assistência técnica contínua nas propriedades.
Nos últimos anos, segundo o setor, produtores e empresários africanos têm intensificado visitas ao Brasil para conhecer centros de genética, fazendas de referência e laboratórios especializados. Paralelamente, técnicos brasileiros também têm atuado no continente africano na implantação de programas reprodutivos diretamente nas propriedades rurais.
Brasil pode assumir papel estratégico na pecuária global
Na avaliação de Bento Mineiro, o Brasil tem condições de assumir um papel estratégico como parceiro do desenvolvimento agropecuário africano, ampliando sua presença internacional para além dos mercados tradicionais.
O avanço da pecuária tropical brasileira é visto como um diferencial competitivo, já que o país acumulou experiência em produzir carne de forma eficiente em ambientes de clima quente — algo que poucas regiões do mundo conseguiram replicar.
Além da África, o especialista destaca a Ásia como outra região com potencial de expansão para a cooperação agropecuária brasileira.
Demanda por proteína deve crescer e reforça importância da pecuária
Com projeções indicando forte crescimento populacional na África nas próximas décadas, a demanda por carne e leite tende a aumentar de forma significativa. Para especialistas, isso deve intensificar a necessidade de ganhos de produtividade na pecuária local.
Nesse contexto, a integração entre genética zebuína brasileira, transferência de tecnologia e capacitação técnica é vista como um caminho para acelerar o desenvolvimento do setor.
Zebu brasileiro como ponte para nova agenda global do agro
Para Bento Mineiro, a expansão da genética zebuína no continente africano representa mais do que uma oportunidade comercial. Trata-se, segundo ele, de uma agenda econômica, tecnológica e diplomática de longo prazo.
O avanço dessa integração pode contribuir simultaneamente para a segurança alimentar de regiões inteiras e para a expansão do agronegócio brasileiro em novos mercados.
“A África precisa produzir mais, o Brasil sabe como fazer isso e o nosso zebu pode ser a ponte entre essas duas realidades”, resume o especialista.
Fonte: Portal do Agronegócio
10/07/2026
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