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Seguro rural passa a exigir maior gestão de riscos diante do avanço dos eventos climáticos extremos

Seguro rural passa a exigir maior gestão de riscos diante do avanço dos eventos climáticos extremos

Secas, enchentes e ondas de calor mudam critérios de avaliação das seguradoras, que passam a considerar prevenção, tecnologia, infraestrutura e capacidade de adaptação das propriedades agrícolas.

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O avanço dos eventos climáticos extremos está transformando a forma como o seguro rural é analisado e contratado no Brasil. Com o aumento da frequência de secas, enchentes, ondas de calor e outros fenômenos que afetam diretamente a produção agropecuária, seguradoras e resseguradoras passaram a ampliar os critérios utilizados para avaliar o risco das propriedades.

Além de fatores tradicionais, como localização da fazenda e histórico produtivo, a análise atual considera cada vez mais aspectos relacionados à gestão de riscos, prevenção de perdas, uso de tecnologia e capacidade de adaptação às mudanças climáticas.

Essa mudança ocorre em um cenário de crescente exposição do agronegócio brasileiro aos impactos ambientais e de baixa cobertura securitária em grande parte das áreas produtivas.

Eventos climáticos geram bilhões em prejuízos ao agronegócio

Entre 2022 e 2024, o Brasil registrou 67 eventos climáticos relevantes, responsáveis por perdas estimadas em R$ 184 bilhões, segundo o Radar de Eventos Climáticos e de Seguros no Brasil, divulgado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em parceria com a EY.

Apesar do elevado volume de danos, apenas 9% desse montante possuía cobertura securitária, revelando uma importante lacuna de proteção para produtores rurais.

Atualmente, menos de 20% da área agrícola brasileira conta com algum tipo de seguro, enquanto milhares de municípios permanecem expostos a riscos relacionados ao clima.

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que mais de 1.900 municípios brasileiros apresentam vulnerabilidade elevada a eventos climáticos extremos.

Seguro rural incorpora novos critérios de avaliação

O modelo tradicional de análise de risco agrícola está passando por uma transformação.

Segundo especialistas, duas propriedades localizadas na mesma região podem apresentar níveis de exposição completamente diferentes dependendo da estrutura de gestão adotada pelo produtor.

Entre os fatores que ganharam importância na avaliação das seguradoras estão:

  • disponibilidade e gestão dos recursos hídricos;
  • sistemas de irrigação;
  • infraestrutura da propriedade;
  • monitoramento climático;
  • adoção de agricultura de precisão;
  • capacidade de armazenamento;
  • práticas de manejo;
  • diversificação das atividades;
  • planejamento financeiro.

A capacidade do produtor de antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades passou a influenciar diretamente a análise de contratação e precificação das apólices.

Gestão preventiva aumenta resiliência das propriedades

A adoção de estratégias de prevenção tem sido considerada um diferencial para reduzir impactos financeiros provocados por eventos extremos.

Propriedades que investem em planejamento, tecnologia e monitoramento apresentam maior capacidade de resposta diante de perdas climáticas e conseguem recuperar mais rapidamente sua capacidade produtiva.

Ferramentas como agricultura de precisão, sensores meteorológicos e sistemas avançados de manejo também contribuem para melhorar a eficiência operacional.

Em culturas como soja, milho e algodão, o uso dessas tecnologias pode proporcionar ganhos de produtividade, além de otimizar o uso de água e insumos agrícolas.

Redução dos recursos do seguro rural aumenta preocupação no setor

O cenário de maior risco climático ocorre em um momento de restrição dos mecanismos públicos de apoio ao seguro rural.

O bloqueio de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2026 reduziu a disponibilidade de apoio financeiro para contratação das apólices, justamente quando produtores enfrentam maior exposição aos impactos climáticos.

Para o setor produtivo, a ampliação da proteção depende de políticas públicas, participação do mercado privado e maior conscientização dos produtores sobre a importância da gestão de riscos.

Seguro rural deixa de ser apenas proteção financeira

O seguro rural continua sendo uma ferramenta essencial para preservar o fluxo de caixa do produtor diante de perdas causadas por eventos climáticos.

Entretanto, o mercado passa a enxergar a proteção como parte de uma estratégia mais ampla, envolvendo prevenção, planejamento e adaptação.

Segundo especialistas, produtores que investem em resiliência climática tendem a apresentar maior capacidade de recuperação econômica e melhores condições de sustentabilidade financeira no longo prazo.

Agronegócio entra em nova fase de adaptação climática

A intensificação das mudanças no clima deve manter a gestão de riscos como uma das principais prioridades do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Com maior frequência de eventos extremos, o produtor rural passa a ter papel central na construção de sistemas produtivos mais preparados, combinando tecnologia, planejamento e instrumentos financeiros de proteção.

Nesse novo cenário, o seguro rural deixa de ser apenas uma ferramenta de indenização após perdas e passa a integrar uma estratégia de competitividade, estabilidade e continuidade da produção agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

16/07/2026

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